Toxicodependência
é a dependência de tóxicos, drogas, narcóticos.
A qualidade dos laços afectivos
A investigação realizada nas famílias intactas, ou seja, nas famílias onde não ocorreram perdas por morte ou separação, revela também ela importantes áreas de consenso nos resultados encontrados.
A maior parte das investigações neste domínio referem uma incidência elevada de situações de crise e de ruptura nas famílias dos toxicodependentes e nas dos consumidores esporádicos (Angel & Angel, 1983; Braucht et al, 1973; Johnston, 1973, in Jurich, 1985; Tec, 1974; Cannon, 1976; Castro et al, 1985).
Muitas destas famílias são desarmoniosas (Blum et al, 1972; Bahn-son, 1972, in Jurich et al, 1985), criam um «vácuo» e um isolamento emocional, não havendo suporte afectivo entre os seus membros (Jensen, 1972; Cooper & Olson, 1977, in Jurich et al, 1985).
A coesão familiar é fraca, sendo os membros pouco valorizados e pouco reconhecidos (Seldin, 1972; Chein et al, 1964; Blum et al, 1972; Cannon, 1976).
Em trabalhos realizados com amostras não-clínicas (estudantes inseridos em meio escolar e familiar) observa-se que os sujeitos utilizadores de marijuana têm uma percepção de menor envolvimento afectivo com os seus pais do que os não utilizadores (Brook et al, 1981), que as raparigas com consumo têm uma percepção de terem laços familiares fracos com as suas famílias (Ensminger et al, 1982) e que os adolescentes com menor envolvimento com a droga e menor identificação aos utilizadores são também aqueles que se sentem mais ligados afectivamente aos seus pais (Dembo et al, 1981).
Também Graeven & Schaefer (1978), num estudo feito numa amostra não clínica, incluindo adolescentes utilizadores de heroína, verificam que estes relatam menos intimidade com os seus pais, mais lutas entre os seus de consumidores crónicos de diferentes drogas. O estudo partiu de amostras de consumidores crónicos de cocaína, anfetaminas, opiáceos, barbitúricos, sedativos e hipnóticos, controladas por amostras de não-consumidores, e conduziu aos seguintes resultados no que diz respeito à percepção dos pais:
- Consumidores de Barbitúricos/Sedativos-Hipnóticos: a maioria descreve os pais como desinteressados ou violentos e as mães como fracas, pouco afectuosas e incapazes de dar aos filhos amor e segurança.
- Consumidores de Opiáceos: relatam frequentemente que os seus pais estiveram ausentes durante o seu período de desenvolvimento e descrevem os pais como violentos e as mães como superprotectoras.
- Consumidores de Anfetaminas: descrevem os pais como pessoas fracas, desprovidas de afecto e psicologicamente dominadas pelas mães; as mães são complexas, sedutoras e manipuladoras (encorajando a independência e simultaneamente o controlo e a dependência).
- Consumidores de Cocaína: descrevem os pais como figuras de suporte; as mães como sendo fortes e enérgicas mas frias.
- Não-consumidores: a maioria descreve os pais como figuras estáveis, trabalhadoras mas não necessariamente ambiciosas. As mães são fechadas, protectoras, afectuosas, mas também exercendo a disciplina em casa, encorajam a independência dos filhos e a sua autonomia.
Na revisão levada a cabo por Jurich et al (1985), os autores tendo por base um número elevado de estudos contemplando as famílias de consumidores sublinham a atmosfera de falta de proximidade afectiva e de mútua rejeição (sem no entanto especificarem entre que membros da família). A rejeição seria exacerbada pela incompetência dos pais no exercício dos seus papéis, devido a imaturidade ou incapacidade de adaptação a novas situações.
Os resultados destes trabalhos sugerem um padrão comum: a existência de laços fracos entre os pais e filhos consumidores. Porem ns autora sença. Sublinhamos também que a maior parte destes trabalhos foi realizada em amostras de população normal (não clínica) e a partir de relatos dos consumidores sobre as suas relações familiares. Trabalhos realizados a partir da observação directa das interacções familiares em amostras clínicas têm revelado resultados diferentes destes.