Introdução à Toxicodependência

O toxicodependente é, por assim dizer, o produto mais bem acabado de uma sociedade onde progressivamente o valor dos laços e das relações afectivas se vai perdendo e que elegeu o químico e o consumo como valores de felicidade. Mas se a abordagem sociológica sobre o fenómeno da toxicodependência serve para afirmar a eclosão de um problema social que envolve todas as camadas da população, não serve para uma tradução literal que consiste em afirmar que a toxicodependência é apenas um comportamento desviante. Muito menos serve para construir práticas terapêuticas que tenham como objecto o sofrimento do sujeito toxicodepente na sua individualidade, na sua idiossincrasia. Como sabemos, a intervenção nas variáveis do meio ou nas variáveis comportamentais não se tem revelado suficiente para tratar o problema.
«Os toxicodepentes não são capazes de se envolver numa relação terapêutica longa», «os toxicodependentes rejeitam a relação», argumenta-se, e em simetria responde-se: «Dêmos-lhes então outra coisa que não passe pela oferta de uma relação psicoterapêutica». Nós diríamos: «Dê-se-lhes então o que eles dizem não querer».

A abordagem psicológica geradora de mudanças na personalidade, que responda ao pedido latente do sujeito em sofrimento, pode, na nossa opinião, permitir sair do impasse e abrir para um outro registo de comunicação gerando turbulência dentro da estrutura psicopatológica e obrigando-a a ceder, a abrir-se à mudança, ou seja, criar o desequilíbrio para que um novo equilíbrio se possa organizar dentro e fora do sujeito.
Uma perspectiva terapêutica que aposte sobretudo nas potencialidades e virtualidades da oferta de uma psicoterapia, de uma relação humana continuada, aos pacientes toxicodependentes, cria uma assimetria, já que, como dissemos, no plano da sua realidade quotidiana os toxicodependentes rejeitam activamente o estabelecimento de uma relação humana com uma pessoa específica e até fazem crer que não precisam dela (faltando, afirmando não precisarem de nada nem de ninguém, induzindo sentimentos de rejeição, envolvendo-se em pseudo-relações amorosas, esporádicas e vazias de afecto).

Esta cegueira, ou seja, esta incapacidade do toxicodependente em ser capaz de reconhecer, de ter consciência, qual é a sua verdadeira «fome», o que lhe falta, leva-o a procurar ininterruptamente parceiros onde o vínculo, a confiança, a relação humana não estão presentes… dando-lhe a ilusão de uma grande independência. Às vezes conseguem ser tão «seguros e afirmativos» nessa sua cegueira que facilmente convencem (ou manipulam?) o terapeuta a responder ao pedido manifesto sem que este se aperceba do pedido latente, a saber: «Ofereça-me aquilo que tive e perdi: uma ligação afectiva continuada, um vínculo que perdure e resista às minhas investidas destrutivas… se não, tenho sempre à mão a droga que me faz sentir bem e me dá a sensação de que posso viver auto-abastecendo-me de ilusões».

Pressupõe-se obviamente que o modelo psicoterapêutico usado desaloje o toxicodependente da posição narcisista em que se encontra («eu sou o maior»), o desaloje das defesas poderosas (arrogância, desprezo, negação) que lhe servem apenas como couraça para a extrema fragilidade psicológica e que permita a construção ou a reconstrução da capacidadade no toxicodependente do estabelecimento de uma relação humana (com o que ela pressupõe de ameaça de perda e de tolerância ao sofrimento), tecida na relação de transferência e contratransferência entre o paciente e o psicoterapeuta. O paciente, ao ser capaz de se abandonar à relação terapêutica, está dando a si próprio uma nova oportunidade: a de poder vir a restabelecer gradualmente uma teia de laços afectivos e sociais que lhe restituam a capacidade de viver, em relação com os outros,

Mas não será a área das toxicodependências, nos seus vários epifenómenos, uma área profundamente cega, geradora de falsas crenças que nutrem o erro?

Ou seja, o toxicodependente é cego face à sua própria psicopatologia, não se crê doente, não vê nem deixa ver a sua «ferida», quer livrar-se da substância que o escraviza não se concebendo ele próprio como o que a deseja e procura.

família do toxicodependente é, em muitos casos, cega face ao problema do filho. Começa por não ver os primeiros consumos. Só se apercebe mais tarde que o filho consome (já consome há anos) e quando finalmente já não pode deixar de ver continua na sua cegueira: «Ele droga-se porque é mau»; «ele droga-se porque anda com más companhias»…

sociedade é cega quando persiste em não querer ver a sua tremenda responsabilidade na degradação da qualidade de vida das famílias, primeiro contexto relacional onde se cria o terreno psicológico sobre o qual mais tarde, quase sempre na adolescência, a droga encontra um terreno psicologicamente favorável à sua acção euforizante.

ciência colabora na cegueira geral ao não conseguir impor um discurso científico que parta, não de opiniões, mas dos dados da realidade tal como eles são verificados através do único meio de que a ciência dispõe: a investigação clínica e a investigação empírica.

  • http://www.facebook.com/people/Suzana-Da-Costa-António/100002885120077 Suzana Da Costa António

    A vida nos mostras muitas oportunidades e esta não vale apena. gostei espero que outros aprendam

  • Bruno Carvalho

    É comum não querermos aceitar certos aspectos de nós mesmos. Isso levou-me ao abuso de drogas. Foi uma forma de me castigar por não ser perfeito. Mas… perfeito para quem? De quem são as exigências e expectativas que continuo tentando atender? Proponho-me a deixar ir embora de minha vida as exigências e os padrões de outras pessoas.

  • http://www.facebook.com/claudia.luzeiro Claudia Luzeiro

    Não cai nessa de drogas!!!!

  • A tua Mãe

    Só podem estar a gozar! Drogas é do melhor que há!

    • Carlos Vidal

      é isso mesmo mano!, faz esse!

  • Mafacarvalho

    Passei grande parte da vida que hoje continuo a viver a
    consumir algo que desfaz nosso sentido de orientação e principalmente da
    realidade. Hoje sou uma pessoa com alguma paz, mas ainda continuo a ser filho
    da minha própria manipulação. Manipulação essa que talvez só nos Ex tóxicos a
    consegui-mos sentir.

    Hoje encontro-me estável e seguro com minhas ideias, ideias
    essas que podem não depender só de mim, mas sim de todo o restante que me
    rodeia. Quando falo no restante que me rodeia, dirijo-me principalmente á
    sociedade, mas infelizmente para nos, a maioria da sociedade não nos observa da
    melhor forma, e fazendo de nos algo sem valor, tudo isto nos leva a acreditar
    que estamos cada vez mais sem hipóteses para recomeçar uma nova vida,
    reintegrar-se no novo mundo que aos poucos e com muita força fomos conhecendo.

    Ao olhar atras, observo os meus nove anos de consumo. Consumos
    esses que me levaram á destruição total, deixando tudo o que me rodeava em
    ruina. Hoje sinto-me feliz, pois tudo o que pensava que tinha morrido em mim,
    renasceu. Não esta a ser fácil, pois esta a ser uma luta constante, luta que me
    esta a mostrar os caminhos mais indicados para percorrer dia após dia. Mas por outro
    lado sinto-me triste, triste por observar e encarar a maneira como nos somos
    recebidos pela sociedade, praticamente somos excluídos. Ao receberem-nos dessa
    forma, a maior parte de nos fica a pensar que estão num oceano sem terra para
    se abrigar das longas e fortes tempestades que se vai avistando aos poucos.

  • Rubenpereira_8

    eu consumo muitas drogas

  • Gil

    a duenca que aqui fala é uma duença perigosa por isso não se metão nisso

  • http://wadaaawd.com/ 2edqwerrw

    tu consume muitas drogas pelo cu

  • http://hotmail Domiongos Antonio

    forca